EQUOTERAPIA
Desde antes da era cristã o homem já sabia dos benefícios obtidos através da equitação, o uso do cavalo, mostrava o valor e força aos médicos da época.

Hipócrates de Loo (458 – 370 a.C), no seu Livro das dietas, aconselhava a equitação para regenerar a saúde e preservar o corpo humano de muitas doenças, mas sobretudo para o tratamento da insônia”. Além disso afirmava que a equitação praticada ao ar livre faz com que os músculos melhorem seu tônus”.

Foi na era moderna, com a conquista da medalha de prata nas olimpíadas de Helsinque, em 1954, na modalidade “adestramento” que a jovem Liz artel, portadora de seqüela de poliomelite, despertou a curiosidade das entidades médicas de todo o mundo. Nascia uma modalidade nova dentro da medicina e da ciência.

Abordado agora, não mais de forma empírica, mas motivando estudos sérios sobre o beneficio obtido pela utilização do cavalo.

Iniciou-se a normatização do que, no Brasil, é conhecido como equoterapia, em 1968, na Alemanha, ainda de forma modesta e tomando impulso entre os anos de 1969 e 1971, quando foi trazida esta técnica, para o Brasil pela fisioterapeuta Gabriele Walter. Com a criação da Ande-Brasil, em 1989, a equoterapia ganhava destaque e divulgação e a aprovação do Conselho federal de Medicina em 1997.

Pessoas que, submetidas á equoterapia, podiam sentir o beneficio do uso do cavalo, criaram a necessidade de normatizar uma pratica esportiva na qual, apesar de suas limitações físicas, sensoriais e ou mentais pudessem se inserir. Criou-se então a equitação especial. A importância da equitação especial foi reconhecida pelo comitê Paraolimpico Brasileiro.


FUNDAMENTOS BÁSICOS

EQUOTERAPIA: é um método terapêutico e educacional que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar, nas áreas de saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento biopcossocial de pessoas portadoras de deficiência e ou com necessidades especiais.

OBJETIVOS DA EQUOTERAPIA: essa prática objetiva benefícios físicos, psíquicos, educacionais e sociais de pessoas portadoras:

De deficiência física ou mentais causadas por:
- lesões neuromotoras de origem encefálica ou medular
- patologias ortopédicas congênitas ou adquiridas por acidentes diversos
- disfunções sensório motoras

E/ou com necessidades educativas especiais ou distúrbios:
- evolutivos
- comportamentais; e
- de aprendizagem

AREAS DE APLICAÇÃO DA EQUOTERAPIA: A equoterapia é aplicada por intermédio de programas específicos organizados de acordo com as necessidades e potencialidades do praticante, da finalidade do programa e dos objetivos a serem alcançados, com dua ênfases:

1º com intenções médicas, com técnicas terapêuticas, visando a reabilitação;
2º com fins educacionais e/ou sociais com a aplicação de técnicas psicopedagógicas, visando a integração ou reintegração.

As áreas de aplicação da equoterapia são:
- Reabilitação - para pessoas portadoras de deficiência física e/ou mental;
- Educação - para pessoas com necessidades educativas especiais e outros;
- Social - para pessoas com distúrbios evolutivos ou comportamentais.

PROGRAMAS BÁSICOS DE EQUOTERAPIA:

- Hipoterapia – programa essencialmente da área de reabilitação, voltado para as pessoas portadoras de deficiência física e/ou mental, neste caso o praticante não tem condições física ou mental para se manter sozinho a cavalo, depende completamente do auxiliar-lateral. Nessa área atua os profissionais da saúde como fisioterapeuta, psicólogo. O cavalo é usado principalmente como instrumento cinesioterapêutico.

- Educação/reeducação – esse programa pode ser aplicado na área reabilitativa ou educativa. Nesse caso o praticante tem condições de exercer alguma atuação sobre o cavalo e conduzi-lo, dependendo em menor grau do auxiliar- guia e auxiliar-lateral.
A ação dos profissionais de equitação tem mais intensidade, embora os exercícios devam ser programados por toda a equipe, segundo os objetivos a serem alcançados.
O cavalo continua propiciando benefícios pelo seu movimento tridimensional e multidirecional e o praticante passa a interagir com mais intensidade. O cavalo atua como instrumento pedagógico.

- Pré-esportivo – também pode ser aplicadas nas áreas reabilitativas ou educativas. O praticante tem boas condições para atuar e conduzir o cavalo, podendo participar de exercícios específicos de adestramento.
A ação do profissional de equitação é mais intensa, necessitando, contudo, da orientação dos profissionais das áreas de saúde e educação.
O praticante exerce maior influência sobre o cavalo.
O cavalo é usado como instrumento de inserção social.

A EQUIPE INTERDICIPLINAR: O atendimento na equoterapia é precedido de diagnóstico, indicação médica e avaliação de profissionais da área de saúde e educação com o objetivo de planejar o atendimento equoterápico individualizado. Essa equipe deve ser a mais ampla possível composta por profissionais da área de saúde, educação e equitação, especializados na reabilitação e/ou educação de pessoas portadoras de necessidades especiais, tais como: FISIOTERAPEUTA - TERAPEUTA OCUPACIONAL - PSICOLOGO - PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FISICA - PEDAGOGO - FONAUDIÓLOGO - ASSISTENTE SOCIAL - MÉDICO - PROFESSOR DE EQUITAÇÃO - PSICOPEDAGOGO.

A composição da equipe interdisciplinar deve levar em consideração o Programa de equoterapia a ser executado, a finalidade do programa e os objetivos a serem atingidos.

O CAVALO: o cavalo possui três andaduras naturais, instintivas, que são: passo, trote e galope.

- O trote e o galope são andaduras saltadas. Isso quer dizer que entre um lance e outro, seja de trote ou de galope, o cavalo executa um salto, existe um tempo de suspensão, em que ele não toca com os membros no solo. Em conseqüência, seu esforço é maior, seus movimentos mais rápidos e mais bruscos e quando ele retorna ao solo exige do cavaleiro um maior desenvolvimento ginástico do corpo para se segurar e acompanhar os movimentos do cavalo. Por isso essas andaduras só podem ser usadas em equoterapia, com praticantes em estágios mais avançados.

- O passo , por suas características, é a andadura básica da equitação e é com esta andadura que executamos a grande maioria dos trabalhos de equoterapia.
- É uma andadura rolada ou marchada. Isso significa que sempre existe um ou mais membros em contato com o solo (não possui tempo de suspensão)
- É uma andadura ritmada e cadenciada a quatro tempos. Isso quer dizer que ela se produz sempre no mesmo ritmo.
- É uma andadura simétrica. Quer dizer que todos os movimentos produzidos de um lado do animal, se reproduzem de forma igual e simétrica do outro lado, em relação ao seu eixo longitudinal.
- É a andadura mais lenta, em conseqüência as reações que ela produz são mais lenta, mais fracas resultando em menores reações para o cavaleiro, e mais duradouras permitindo uma melhor observação e análise por parte da equipe que acompanha o praticante.
- A característica mais importante para a equoterapia é que o passo produz no cavalo e transmite ao cavaleiro, uma série de movimentos seqüenciados e simultâneos, que tem como resultante um movimento tridimensional quer se traduz, no plano vertical, em um movimento para cima e para baixo; no plano horizontal produz um movimento para direita e para a esquerda, segundo o eixo transversal do cavalo; produz também o movimento para frente e para traz segundo o seu eixo longitudinal.
Este movimento é completado com pequena torção da bacia do cavaleiro que é provocada pelas inflexões laterais do dorso do animal.

Com toda essa seqüência de movimentos, constatamos que o movimento produzido pelo cavalo é altamente complexo. ele transmite-se para o cavaleiro, por meio da ligação existente entre o assento do cavaleiro e o dorso do animal, centro de execução dos movimentos do cavalo. É por intermédio dessa ligação que esses movimentos são transmitidos ao cérebro do cavaleiro, por meio de seu sistema nervoso, e com a continuidade da sua execução, são geradas respostas que irão ativar seu organismo.

Esta é a grande vantagem da utilização do cavalo. O praticante é incapaz de gerar os movimentos por si só. Neste caso, o cavalo gera os movimentos e os transmite ao cavaleiro, e desencadeia o seu mecanismo de resposta.

Apesar dos movimentos se processarem de maneira rápida, ela não é tão rápida que impessa o seu entendimento pelo cérebro humano. E a sua repetição, simetria, ritmo e cadência fazem com que as respostas surjam de maneira bastante rápida.

É exatamente esse movimento que gera os impulsos que aciona o sistema nervoso para produzir as respostas que vão dar continuidade ao movimento e permitir o deslocamento. A partir dessas respostas, o organismo terá maiores ou menores condições de movimentar- se, em função da capacidade dos músculos entrarem em atividade.

Informações tiradas da apostila do curso básico de equoterapia realizado pela Ande-Brasil.

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